sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Técnica ou Intuição?

Será preciso algum dom especial para ler as cartas?
Qualquer um pode jogar Tarô?
Posso tirar para mim mesmo(a)?

Os questionamentos acima são bastante comuns, e recentemente alguém me fez novamente essas perguntas.

No meu ponto de vista qualquer um pode aprender a ler o Tarô sem nenhum dom além daqueles que todos nós possuímos naturalmente. Qualquer um pode aprender a jogar Tarô, assim como qualquer pessoa pode aprender qualquer coisa que outro ser humano seja capaz de fazer.

Eu entrei no mundo do Tarô com uma visão bem técnica, aprendendo com livros, jogando para mim mesma, anotando e confrontando minhas conclusões com a realidade do dia-a-dia.

Dessa forma acredito que uma boa técnica e embasamento teórico são fundamentais.

Mas com o tempo e a experiência, desenvolvendo uma relação com o Tarô e mergulhando nos símbolos, a intuição natural foi se mostrando, se aprimorando e dando o toque colorido às minhas leituras.

O que era pura técnica, foi virando um bailado de símbolos que a cada consulta formam uma nova coreografia.

De tanto ouvir o outro, sintonizar com a energia do consulente, fui vendo como cada símbolo se encaixa a cada história de vida, sem nunca perder sua essência.

Aprendi que o consulente traz em si as respostas, nas suas dúvidas, na sua vibração, na sua abertura para se deixar levar pela dança do Tarô. Eu como Taróloga oriento, traduzo e conduzo, com muita satisfação, esse encontro entre consulente e Tarô.

O que tenho a mais do que o consulente naquele momento, é minha dedicação, disponibilidade de tempo e vivência com o Tarô. Por amar a ferramenta incorporei ela a meu ser. E deslizo entre os símbolos como o bailarino desliza no palco.

A cada consulta uma história de vida se descortina diante de meus olhos e a "magia" do Tarô se revela (magia  entre aspas, porque não tem nada de magia sobrenatural, mas sim da magia da vida, dos símbolos e do interior humano).

Na minha vida a grande magia é descobrir a cada tiragem uma atividade que amo, que faço com prazer e naturalidade, simples como satisfazer qualquer necessidade básica de meu ser.

E claro que nessa viagem também me revelo e me descubro. E, respondendo a terceira pergunta, sim é possível jogar para si mesmo. Jogo para mim, mas confesso que encontro maior dificuldade para interpretar uma abertura de cartas para mim mesma, do que para outra pessoa. E o motivo é simples: ao jogar para mim mesma preciso de distanciamento e discernimento para que meu envolvimento e vontades não interfiram em minha interpretação. O risco de uma interpretação tendenciosa, de distorcer o significado das cartas ao jogar para mim mesma existe, já que tendemos a mascarar o modo como nos vemos.

Mas com serenidade e tranquilidade, aquietando a mente, consigo interpretar meu próprio jogo. O que se torna um excelente exercício de autoconhecimento e amplia minha relação com o Tarô.

Dessa forma a cada tiragem, para mim mesma ou para outras pessoas, amplio minha visão do Tarô, afino minha intuição e mais me convenço da incrível Magia que é a Vida!




3 comentários:

  1. Concordo em parte com suas colocações! Todos podem aprender o tarot tanto quanto podem aprender a desenhar e pintar, por exemplo, mas quantos podem desenhar ou pintar como Monet ou Dali? Ler tarot requer talento como qualquer outra atividade humana. Isso faz a diferença entre o bom leitor e o medíocre!
    E é claro que só é possível se saber disso trilhando o caminho! Um grande abraço!

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  2. Olá Jaime, ótima sua comparação!

    Nesse ponto que quero chegar também. Ler Tarô não é um mistério, como pintar um quadro não o é, para ambos existem técnicas, e qualquer pessoa pode acessar esse universo.

    Quanto ao se tornar brilhante, é o algo mais, a paixão, o fazer por amor, que faz fluir e traz a qualidade especial, porque ao ser um prazer, o aperfeiçoamento vai acontecer de forma constante.

    Eu procuro desmistificar o Tarô, deixando claro que não tenho poderes ou saberes maior que qualquer outra pessoa. Mas claro que a paixão de quem se dedica, faz o diferencial e a essa paixão podemos chamar de Dom, Talento, esse algo mais.

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  3. Olá Lis, desmistificar é tirar o que há de sagrado! E acho que isso não interessa a ninguém, não é? Desmitificar sim, é tirar o mito de dentro do conceito. A palavra "mito" vem do grego e quer dizer falso! É um "s" que faz toda a diferença, não concorda?
    Lis, quem não tem nenhum talento de especial, não tem nada a oferecer! É impossível que depois de anos de prática com uma linguagem simbólica não se desenvolva uma aptidão intuitiva maior do que a média, uma fluência verbal maior que a média, uma capacidade de inter-relacionamento simbólico e cognitivo bem maior que a média. E se não é assim é porque se está fazendo algo errado!
    Um pintor é alguém que tem uma inteligência espacial e estética maior que a média, assim como como o arquiteto, mas o que fez com que um fosse ser arquiteto e o outro pintor? Uma escolha? Não, uma aptidão, ou dom se preferir! Qualquer um pode estudar o tarot, assim como eu ou vc podemos estudar artes plásticas ou arquitetura, mas será que seríamos arquitetos ou artistas plásticos? Pintar um quadro não é um mistério? É claro que é! É passar uma emoção viva e toda a sua beleza para uma tela! Então como ler o tarot não seria um mistério? É por isso que se chama de "arte divinatória" porque sua interpretação é uma arte! E como tal tem de ter pessoas capacitadas para sua execução, caso contrário vc estaria reduzindo a leitura de tarot a uma atividade tão técnica quanto dirigir. E cá entre nós, lidar com os símbolos a alma com uma ótica dessas seria bem leviano, não concorda?

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