segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre Torres e Mortes




Hoje vou falar de duas cartas “temidas” no Tarô: A Torre, arcano 16, e A Morte, arcano 13.

Quem conhece um pouquinho de Tarô ao ver A Torre em um jogo já fica de cabelo em pé e para ficar de cabelo em pé ao ver A Morte no jogo nem precisa conhecer muito de Tarô.

Esse medo deve vir de nosso instinto inconsciente de preservação, de querer manter as coisas como estão, pois “antes o ruim que já estou acostumado que correr risco de piorar...”

Da Morte não podemos fugir, ela é mutação, transformação, nosso destino certo. Vivemos pequenas Mortes o tempo todo e antes de encarar a transformação final, a temida morte da carne, já teremos morrido inúmeras vezes em nossa caminhada, talvez por isso as pessoas bem mais velhas parecem não temer a morte, pois essa já é uma velha conhecida das almas sábias e vividas.

Morremos ao deixar o conforto do ventre materno e sermos jogados nesse mundão hostil e diferente. Imagine a sensação de Morte do bebê expulso em meio a contrações do ventre materno ou arrancado cirurgicamente. Sem entrar no mérito da forma certa ou errada de nascer, ambas são um choque, a primeira Morte que TODOS NÓS enfrentamos.

Aos brados e protestos vemos nossa infância morrer para dar lugar a vida adulta.
Matamos o Jovem em nós para sermos maduros e independentes.
Morre a solteirice para embarcarmos na aventura da vida a dois.
Morre o filho para nascer um pai ou uma mãe – que grande morte é vivenciar o parto de um filho!

E assim a Morte segue para dar lugar a vida.

Mas e quando fugimos da Morte...quando a evitamos, quando tentamos enganar a dama Morte...o que acontece? Vem a Torre!

A Torre é a explosão daquilo que tentamos manter a qualquer custo. Erguemos uma muralha emocional, nos blindamos, negamos a volatilidade da vida. Mas a vida é muito intensa para se conter em paredes construídas pelo nosso ego. Como um mar represado a energia vai ficando densa,
furiosa, até que a força vital rompe as paredes e A Torre desmorona, levando embora nossas seguranças, nossas certezas, nos deixando atordoados, nus....porém livres!

A Torre pode ser o fim daquele casamento arrastado, a demissão daquele emprego que mais te prendia que te impulsionava, daquela amizade que se baseava em tapinhas nas costas vazios.

A Torre costuma ser explosiva, parece vir de repente, é um estouro, uma briga, geralmente acompanha lágrimas e ranger de dentes daquele que se agarra aos seus destroços.

Já a Morte é mais natural, dolorida sim, com seu devido luto, mas é menos barulhenta que a Torre.

De ambas não temos para onde fugir, mas quanto mais desapegados formos, menos Torres teremos pela frente. Agora A Morte nos acompanha a cada respiração, essa é intimamente ligada à vida e não há milagre que nos afaste dela.

Sendo assim não vamos desperdiçar nosso tempo e energia erguendo muralhas imensas, pois, a quando A Torre resolver desabar não haverão paredes que a segurem. E vamos viver nossas Mortes com a certeza que a vida depois dela será mais rica e plena, “novinha em folha”.



...E assim, após cada Torre e cada Morte que vivenciamos voltamos a ser O Louco (arcano 0), vazio, leve...mas com O Mundo a nossa frente e todas as possibilidades disponíveis.

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